terça-feira, 22 de julho de 2008

Frank Zappa

Falar de Frank Vincent Zappa é falar de múltiplas facetas e múltiplos talentos em um homem só.
Frank revolucionou a música contemporânea sem nunca perder as raízes e a sua eterna batalha contra a opressão do pensamento e a alienação.
Usando de veículo sua complexa e atemporal música, fazendo das letras e conceitos suas armas, Zappa tocou uma carreira inteira numa despretensiosa pretensão de fazer uma verdadeira revolução no bitolado e retrógado pensamento de massas, incluindo aí um repulsa violenta contra o mercado fonográfico e seus produtos artificiais de vendagem imediata.
Além de sua carapaça ideológica e de sua poesia concreta carregada de ironia e cinismo, Zappa era um músico sem igual, buscando influências em artistas obscuros do Jazz e do R&B e carregando seus legados durante toda sua carreira, encontrando na sua virtuosa guitarra um modo de gritar e agredir o mundo a qual criticava quando as palavras já não eram suficientes.
Em sua primeira e principal banda, Mothers of Invention, Zappa não poupou palavras para criticar desde os Beatles, passando por Jimi Hendrix e chegando até o Flower Power sessentista, movimento que criticou ferrenhamente por sua covardia ante a políticas e até mesmo ao próprio American Way of Life e, em especial, pelo consumo demasiado de drogas que sempre fez questão de não usar e nem mesmo permitir que seus músicos usassem.
Zappa até mesmo criticou Jim Morrison, chamando-o de "menininho mimado" e repudiando veemente seu abuso agressivo de drogas.
Nesse ínterim, aderiu a um movimento contrário a malemolência Hippie intitulado de "Freaks", nome dado apartir de um dos seus símbolos, o filme homônimo de 1932 dirigido por Tod Browning que chocou a moralidade rígida que regia os EUA na época e foi banido e proibído em diversos países.
O plot do filme ajuda a entender o por quê do nome deste movimento adotado por Zappa, visto que seu objetivo maior era usar-se da quebra de moralidades tradicionalistas e do choque promovido por ações denominadas de anti-éticas e, algumas vezes, até subversivas.
Homenagens ao movimento podem ser vistas nos discos do Mothers, em especial Freak Out que além do nome, possui uma canção Hungry Freaks, Daddy, dedicada a Carl Franzoni, um dos líderes do movimento.
Nesta época, algumas experiências vividas por Frank como várias negativas de gravadoras ao seu trabalho e até mesmo uma prisão inesperada moldaram temas que viriam a ser frequentes em seus discos.
O fato de ironizar com a "falta de viabilidade comercial" de suas músicas o fizeram a cada vez mais explorar esse tema e satirizar o cenário pop da época, incluindo o fato de não aceitar a não vinculação de artistas mais obscuros e pioneiros do R&B (consequentemente, dando origem ao rock) normalmente negros em detrimento ao aparecimento dos falsos "reis do rock" brancos que só pegaram antigas canções desses artistas e deram uma roupagem mais sociável e de melhor aceitação.
Zappa mudou de estilos durante sua carreira e com o fim do Mother of Invention, pode se dedicar cada vez mais à música, contando sempre com uma banda competentíssima ao seu lado e tornando-se cada vez mais um ícone da cultura pop da época, ironicamente o que ele sempre criticou.
Apesar de diversos discos anteriores excelentes, Hot Rats de 1969 é, para muitos, o ponto de partida da ascensão de Zappa dentre a música popular.
A obra-prima Peaches En Regalia que abre o disco é um clássico inestimável, tornando as canções mais complexas lançadas até então em canções ingênuas e simplórias.
Peaches é rica em texturas e viaja em seus quase 4 minutos por diversos rumos e com a inclusão de diversos instrumentos, em sua maioria retirados de suas influências Jazzisticas como os metais que se fizeram presentes em toda sua carreira.
Em minha opinião, além de ser uma das melhores de Zappa, é uma das melhores canções de todos os tempos antevendo boa parte da complexidade que se seguiria presente na música pop na década de 70 e sendo uma obra inconfundível, da qual ninguém conseguiu atingir a mesma intensidade, nem mesmo o próprio Zappa.
Outras canções como Willie the Pimp (cantada por Captain Beefheart, colaborador frequente de Zappa e mais um maluco que seguiu carreira solo depois), Son of Mr. Green Genes e The Gumbo Variations flertam com o rock mais agressivo e pesado que vinha surgindo, mesmo que ainda imantadas no Jazz (algo que poderia ser chamado de Jazz Fusion).
Zappa lançou alguns discos menos expressivos (incluindo alguns com o Mothers como 200 Motels, trilha de um filme da própria banda) até a chegada de Over-nite Sensation de 1973 que, junto de Apostrophe, se tornaram uma das "dobradinhas" mais brilhantes do rock.
Em Over-Nite, Zappa continua investindo no Jazz misturado com o rock, havendo agora certos flertes com o rock progressivo e a continuidade da complexidade frequente na composição das músicas apesar de ser intitulado como um disco mais acessível que os predecessores.
Com letras beirando a paródias, Zappa ironiza repressão e liberação sexual, faz comentários sociais diversos e ainda têm tempo para instrumentais fantásticos e solos de guitarra longos e inspirados.
Apostrophe segue a linha de letras divertidas e irônicas, concatenando a "acessibilidade" iniciada em Over-Nite e a refinando em um dos seus maiores êxitos comerciais, alavancados por canções clássicas como Cosmik Debris e Illinois Enema Bandit.
Zappa continuaria a lançar alguns discos clássicos, mesmo com menos êxito comercial mas apoiados por um crescente número de fãs.
A consagração da melhor fase da carreira de FZ veio com Zappa In New York, um furioso disco ao vivo que retrata com fidelidade e fluências o espetáculo único que era um show de Frank Zappa.
Seu último grande êxito nos anos 70 foi Sheik Yerbouti. Neste disco está incluído uma famosa paródia à Bob Dylan.
Ao longo dos anos 80, década generosa e produtiva para Zappa, se permitiu a explorar a música eletrônica, popularizando o uso de determinados sintetizadores e até mesmo criando albuns instrumentais apenas com os mesmos, o que lhe rendeu seu único Grammy para Jazz From Hell.
Frank também continuo com longas excursões ao redor do mundo, possuindo um público muito mais amplo e extensivo.
Escreveu várias peças de música clássica durante esse tempo e discos instrumentais com enfoque principal na guitarra, além de discos ao vivo como o fantástico The Best band you never Heard in your life.
Continuou trabalhando continuamente até sua precoce morte em 1993, vitimado de um câncer de prostata, que abalou profundamente a comunidade musical pela perda irreparável de um dos últimos gênios do estilo vivos.

A discografia de FZ é enorme, mais de 100 discos, abaixo irei postar aqueles que julgo de maior relevância em sua carreira :

Freak Out (1966)
Were only in It for The Money (1968)

Hot Rats (1969)
Over-Nite Sensation (1973)
Apostrophe (1974)
One Size Fits All (1975)
Zoot Allures (1976)

Zappa In New York (1978)
Sheik Yerbouti (1979)
Joe's Garage (1979)
You Are What You is (1981)
The Perfect Stranger (1984)
Does Humor Belong To Music (1986)
Guitar (1988)
The best band you never heard in your life (1991)
The Yellow Shark (1993)

1 comentários:

Vicente disse...

Post espetacular!

Notícias Musicais

Loading...

Notícias Gremistas

Loading...

Disclaimer

"Todos os links e arquivos que se encontram no blog estão hospedados na internet, somente indicamos onde se encontram.
- O blog só reune informações de onde se encontram os links dos cds e/ou videos.
- De acordo com a lei, o arquivo deve permanecer no máximo 24 horas em seu computador, posteriormente deletado. Esses mesmos arquivos são somente para divulgação das respectivas bandas/grupos musicais
- Os membros do blog não tem responsabilidade alguma sobre os arquivos que o participante baixou ou venha a baixar e a finalidade do mesmo."